21 mai 2026

Dia do Chá

21 mai 2026

Sobre este dia

Todo o chá do mundo — o Darjeeling de primeira colheita, o matcha, o Lapsang Souchong, o English Breakfast, o çay turco no copo tulipa, a mistura russa Karavan saída do samovar, o chá dos Açores — vem de uma única planta: Camellia sinensis. O que muda é a altitude, a oxidação e as mãos que colhem e enrolam a folha. O Dia do Chá é o olhar anual da FAO para o troço da cadeia que o consumidor nunca chega a ver.

De onde veio

A ideia veio da Índia. Sindicatos de Nova Deli convocaram a 15 de dezembro de 2005 uma primeira jornada pelos trabalhadores do chá; países produtores — Sri Lanka, Nepal, Vietname, Bangladesh, Quénia, Malásia, Indonésia, Tanzânia — foram aderindo. Em 2015 o Grupo Intergovernamental da FAO sobre o Chá, reunido em Milão, apoiou transformar a data em observância da ONU; o governo indiano apresentou a proposta formal em 2018. A 21 de dezembro de 2019 a Assembleia Geral adotou a resolução A/RES/74/241, fixando 21 de maio como Dia Internacional do Chá, sob a condução da FAO. A primeira edição da ONU caiu a 21 de maio de 2020 — quase inteiramente virtual, porque a pandemia tinha fechado a sede da FAO dois meses antes. É a sétima edição.

O que há de novo em 2026

O tema FAO deste ano é «Fostering Growth and Inclusion» — fomentar crescimento e inclusão, centrado em pequenos produtores, salários justos e a entrada de jovens na atividade. O evento central decorre a 21 de maio na sede da FAO em Roma, conduzido pelo Diretor-Geral QU Dongyu, com oradores da China, Quénia, Sri Lanka e Türkiye. Na agenda: uma prova de chás cultivados em paisagens reconhecidas pela FAO como património agrícola. Os materiais deste ano dizem em voz alta uma coisa que a conversa do lado consumidor costuma saltar: as mulheres são a maioria da mão de obra nas plantações e ganham, em média, cerca de metade do que ganham os homens pelo mesmo trabalho.

Cinco coisas que vale a pena saber

  1. Depois da água, o chá é a bebida mais consumida do mundo. O consumo por habitante cresceu cerca de 2,1% ao ano na última década, com o maior empurrão nos próprios países produtores, não nos mercados importadores históricos.
  2. Cerca de 60% do chá mundial vem de pequenos produtores — uns nove milhões, concentrados na China, na Índia, no Quénia e no Sri Lanka. A produção global vale em torno de 17 mil milhões de dólares por ano a preço de produtor, uma fração do que a mesma folha rende já com marca.
  3. Os Açores guardam a única plantação comercial de chá da Europa. Chá Gorreana, em São Miguel, está em operação ininterrupta desde 1883 e ainda usa máquinas inglesas do final do século XIX; a vizinha Porto Formoso reabriu na década de 1990 depois de décadas inativa. Entre as duas, produzem-se algumas dezenas de toneladas por ano de verde e preto.
  4. A FAO reconheceu vários paisagens do chá como Sistemas Engenhosos do Património Agrícola Mundial, entre eles o agrossistema tradicional do chá de Pu'er em Yunnan, China (2012), o sistema integrado chá-pastagem de Shizuoka, Japão (2013) e a cultura do Anxi Tieguanyin em Fujian (2022).
  5. O chá chegou à Europa em 1610 pela Companhia Holandesa das Índias Orientais, mais de trinta anos antes da abertura dos primeiros cafés em Londres. O hábito britânico veio depois, por Catarina de Bragança em 1662; sem o seu dote português, o Boston Tea Party teria sido sobre outro produto.

O que oferecer

  • Um chá monovarietal de um jardim com nome próprio, não uma mistura: Darjeeling de primeira colheita de Castleton ou Margaret's Hope, oolong de rocha Wuyi, sencha de Shizuoka, chá púrpura queniano, çay turco Çaykur Filiz, ou Chá Gorreana das encostas de São Miguel. O jardim pesa tanto quanto a cultivar.
  • Um recipiente sério para o chá que a pessoa realmente bebe: gaiwan de porcelana para chinês, kyusu japonesa para sencha, samovar russo ou çaydanlık turco de dois corpos, bule grande de borossilicato para os agnósticos.
  • Uma assinatura mensual numa casa séria — Companhia Portugueza do Chá em Lisboa, ou um pequeno torrador regional que envia folha fresca em vez de stock de um ano.
  • Uma prova guiada num salão sério, ou — se a viagem couber — um dia numa plantação ativa, seja na Gorreana ao lado de casa ou em Yunnan, Uji ou Nuwara Eliya.
  • Um bom livro: Por Todo o Chá da China de Sarah Rose para a história do roubo botânico de Robert Fortune, ou A Verdadeira História do Chá de Mair e Hoh para a versão longa.
  • Um donativo em nome do destinatário à Fairtrade Ibérica, à Ethical Tea Partnership ou a uma cooperativa de trabalhadores do chá em Assam ou no Quénia central.